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| 16/03/2007 |
| STAMPA - Publico, Luìs Maio (Lisbona, 16/03/2007) |
| Sons com asas |
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Entre tenores cabotinos e tocadores lamechas de bandolim, a canção napolitana sobrevive hoje como uma caricatura de si própria. Apostado em contrariar essa burla e devolver à tradição musical napolitana a dignidade perdida, o produtor Ciro Costabile criou o Neapolis Ensemble, em 2003. O agrupamento é formado por uma cantora e cinco instrumentistas, que combinam instrumentos "cultos" como o violoncelo e a flauta transversal com instrumentos populares como o bandolim e a pandeireta. Porque é essa mesma dialética de alta e baixa cultura que faz a diferença de Nápoles. Mais que um programa estético, no entanto, este projecto responde a uma agenda política, a que não será estranha a simpatia dos intervenientes pelo Partido Comunista Italiano. "Napoli" vem assim acompanhado por um texto que ressuscita a velha polémica da unificação de Itália, questionando os interesses económicos que ditaram o eclipse da até então terceira mais rica cidade europeia, ao mesmo tempo que recorda a revolta das populações do reino napolitano e o sangue derramado para a sufocar. O alinhamento recria reportório tradicional, num espectro temporal que vai do século XV aos nossos dias, alternando tarantelas e villanelas, as canções festivas e dançantes da região, mas naturalmente com um forte acento na vertente mais interventiva. É um belíssimo disco, que, mais que um som, celebra a alma de uma Nápoles rebelde, orgulhosa e excessiva, ou seja, a perfeita antítese dos seus actuais postais turísticos. |
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